#408 Bestial Devastation: a origem do Sepultura e a cena do metal brasileiro em 1985

#408 Bestial Devastation: a origem do Sepultura e a cena do metal brasileiro em 1985

Author: Antigas Novidades do Rock December 9, 2025 Duration: 1:12:39

“Bestial Devastation” não é só o primeiro registro do Sepultura. É quase um manifesto cru, barulhento e desajeitado — no melhor sentido possível — de uma molecada de Belo Horizonte que queria soerguer o metal extremo no Brasil na marra. Dá pra sentir esse espírito em cada segundo das faixas, inclusive nos erros, microfonias e exageros adolescentes. É justamente isso que torna o disco tão simbólico.

O ano de 1985 foi um caldeirão quente. O país acabava de sair da ditadura militar, o Rock in Rio tinha acabado de acontecer, e a cultura jovem começava a respirar sem tanto peso no peito. Mas o underground ainda era um território bruto. Tudo era feito com fita cassete, boca a boca, zines xerocados e uma enorme vontade de perturbar o status quo.

Enquanto o mainstream celebrava Paralamas, Blitz e Barão Vermelho — todos ótimos, claro — alguns garotos em BH preferiam ir pro lado mais sombrio da força. A capital mineira, curiosamente, se tornou um dos berços mais férteis do metal extremo na América Latina. Metrópolis pesada, industrial, cheia de becos sonoros perfeitos para riffs diabólicos.

A tape-trading internacional (troca de fitas entre fãs do mundo todo) começava a colocar o Brasil no mapa do metal extremo. Nomes como Sarcófago, Mutilator, Chakal, Holocausto e, claro, Sepultura formavam o embrião do que viraria o Cogumelo Records style. Era feio, sujo e completamente autêntico.

O disco saiu como lado B de um split com o Overdose, chamado Bestial Devastation / Século XX. Foi lançado pela lendária Cogumelo Records, que quase funcionava como uma espécie de “Motorola do metal”: pequena, improvisada, mas decisiva.

O som é um híbrido de black metal primitivo com thrash apressado, riffs cortantes e uma bateria que parece gravada dentro de um buraco — e funciona. Max ainda não tinha o vocal encorpado e tribal dos anos 90; ali ele soa como um adolescente possuído lendo trechos de grimório.

Faixa por faixa:

01 The Curse – Um intro narrado, beirando o tosco, mas absolutamente icônico. Aquele tipo de abertura que tenta invocar o inferno com uma fita de VHS.

02 Bestial Devastation – Aqui o Sepultura realmente nasce. Velocidade, caos, letras sobre profanação… a receita ideal pra fazer a cena internacional virar o pescoço na direção de BH.

03 Antichrist – Assinada liricamente pelo Wagner Lamounier (sim, o futuro vocal do Sarcófago). Essa conexão entre as bandas mostra como a cena mineira era uma caldeira coletiva.

04 Necromancer – Uma das faixas mais queridas pelos fãs antigos. Um proto–death metal cheio de clima e riffs quase punk na estrutura.

05 Warriors of Death – Um fechamento épico, ainda na pegada blasfema e adolescente, mas com atitude o suficiente pra virar clássico.

Max Cavalera – Vocal rasgado, guitarra rítmica crua, pura urgência.
Jairo Guedz – Guitarra solo repleta de influência de Venom e Slayer.
Paulo Jr. – Baixo simples, mas firme; essencial num cenário de pouca técnica disponível.
Igor Cavalera – O mais impressionante ali: jovem, mas já com uma pegada absurda.


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No comando está o jornalista Aroldo Glomb! Na bancada: Demetrio Ferreira Czmyr ,Cristiano Moura, Bredi Vian Marinho e Aldo Portes de França.

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Em Antigas Novidades, a conversa gira em torno daquelas faixas que nunca envelhecem, dos álbuns que moldaram gerações e das histórias por trás dos sons. Cada episódio é uma imersão em discos clássicos, sejam eles de vinil ou CD, explorando com profundidade e paixão os meandros do rock em suas múltiplas faces. O fio condutor é a música que resiste ao tempo, mas a abordagem evita a nostalgia vazia, preferindo reviver a relevância e a energia original dessas obras. Aqui, o heavy metal pesado dos anos 80 divide espaço com a complexidade do rock progressivo, a alma do blues e a sofisticação do jazz. O rock nacional e a MPB são tratados com a mesma reverência e curiosidade, destacando sua importância no panorama global. Mais do que apenas listar bandas, o podcast se dedica a desvendar os arranjos, as letras, o contexto de gravação e o impacto cultural desses trabalhos, sempre com um olhar atento para o que os tornou especiais. Ouvir este podcast é como ter uma longa e descontraída discussão musical com um amigo bem-informado, que ama tanto um riff distorcido quanto um solo de saxofone. A proposta é reencontrar a surpresa e a novidade que ainda habitam nas gravações antigas, descobrindo novos detalhes a cada audição. É para quem acredita que a boa música, independentemente da década em que foi lançada, sempre tem algo novo a dizer.
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Antigas Novidades - rock, jazz, blues, heavy metal, rock progressivo, rock nacional, classic rock
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