#434 Água do Céu - Pássaro (1975) é o disco mais provocador de Ney Matogrosso?

#434 Água do Céu - Pássaro (1975) é o disco mais provocador de Ney Matogrosso?

Author: Antigas Novidades do Rock May 7, 2026 Duration: 1:05:10

O álbum Água do Céu - Pássaro marca a estreia solo de Ney Matogrosso em 1975, logo após sua saída dos Secos & Molhados, motivada por conflitos internos. Também conhecido pelo nome de uma de suas faixas mais emblemáticas, “Homem de Neanderthal”, o disco apresenta um artista em plena transformação, assumindo uma identidade estética e performática radical.

Neste trabalho, Ney constrói uma persona animalesca e híbrida, entre homem e pássaro, que se manifesta tanto na capa quanto nas interpretações vocais e corporais. Essa proposta estética, primitiva e ao mesmo tempo sofisticada, atravessa o repertório e se reflete diretamente em faixas como “Homem de Neanderthal”, estabelecendo um novo padrão de expressão artística na música brasileira.

Lançado em pleno período da Ditadura Militar no Brasil, o disco teve forte impacto cultural. Em um cenário marcado pelo conservadorismo e pela repressão, Ney desafiou normas ao aparecer seminu no encarte do álbum e ao explorar sensualidade e provocação em músicas como “Açúcar Candy”. O trabalho se tornou um símbolo de enfrentamento artístico e liberdade de expressão em um dos momentos mais rígidos da história do país.

A produção ficou a cargo de Billy Bond, reunindo músicos como Claudio Gabis (guitarra), Jorge Omar (violão), Bruce Henry (contrabaixo), Marcio Montarroyos (trompete e piano), Sergio Rosadas (flauta e sax tenor), Chacao (percussão) e Elber Bedaque (bateria). O resultado é uma sonoridade rica, que combina elementos da música popular brasileira com influências experimentais.

O repertório mistura referências da infância de Ney, como músicas da rádio e trilhas de cinema, com composições inéditas de nomes importantes como Milton Nascimento, João Bosco e Aldir Blanc, além de colaborações com Astor Piazzolla e textos de Jorge Luis Borges.

Entre as faixas do disco estão: “Homem de Neanderthal” (Luiz Carlos Sá), “O Corsário” (Aldir Blanc / João Bosco), “Açúcar Candy” (Sueli Costa / Tite de Lemos), “Pedra de Rio” (Lucinda / Luli / Paulo César), “Idade de Ouro” (Jorge Omar / Paulo Mendonça), “Bôdas” (Milton Nascimento / Ruy Guerra), “Mãe Preta (Barco Negro)” (Caco Velho / Piratini), “Cubanakan” (Sauval / Moises Simons / Champfleury), “América do Sul” (Paulo Machado), “As Ilhas” (Geraldo Carneiro / Astor Piazzolla) e “1964 (II)” (Jorge Luis Borges / Astor Piazzolla).

“América do Sul” se destacou como o primeiro grande sucesso da carreira solo de Ney, com lançamento no programa Fantástico, ampliando o alcance de sua obra para o grande público.

Este disco de estreia não apenas consolidou Ney Matogrosso como um dos artistas mais singulares da música brasileira, mas também redefiniu os limites entre música, performance e identidade artística.

No comando está o jornalista Aroldo Glomb! Na bancada: Cristiano Moura e Bredi Vian Marinho

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Em Antigas Novidades, a conversa gira em torno daquelas faixas que nunca envelhecem, dos álbuns que moldaram gerações e das histórias por trás dos sons. Cada episódio é uma imersão em discos clássicos, sejam eles de vinil ou CD, explorando com profundidade e paixão os meandros do rock em suas múltiplas faces. O fio condutor é a música que resiste ao tempo, mas a abordagem evita a nostalgia vazia, preferindo reviver a relevância e a energia original dessas obras. Aqui, o heavy metal pesado dos anos 80 divide espaço com a complexidade do rock progressivo, a alma do blues e a sofisticação do jazz. O rock nacional e a MPB são tratados com a mesma reverência e curiosidade, destacando sua importância no panorama global. Mais do que apenas listar bandas, o podcast se dedica a desvendar os arranjos, as letras, o contexto de gravação e o impacto cultural desses trabalhos, sempre com um olhar atento para o que os tornou especiais. Ouvir este podcast é como ter uma longa e descontraída discussão musical com um amigo bem-informado, que ama tanto um riff distorcido quanto um solo de saxofone. A proposta é reencontrar a surpresa e a novidade que ainda habitam nas gravações antigas, descobrindo novos detalhes a cada audição. É para quem acredita que a boa música, independentemente da década em que foi lançada, sempre tem algo novo a dizer.
Author: Language: pt-br Episodes: 100

Antigas Novidades - rock, jazz, blues, heavy metal, rock progressivo, rock nacional, classic rock
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