Café com Política
O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos) minimizou as resistências enfrentadas nas articulações partidárias em Minas Gerais e afirmou que a rejeição acontece porque parlamentares temem perder espaço nas chapas proporcionais para nomes com potencial eleitoral elevado. Em entrevista ao Café com Política, exibida nesta terça-feira (14/4) no canal de O TEMPO no YouTube, Cunha, que pretende disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, evitou antecipar ainda apoio a qualquer nome na corrida pelo governo mineiro, sinalizou, no entanto, simpatia pela candidatura de Marcelo Aro ao Senado, mas defendeu que seguirá a orientação do Republicanos nas eleições estaduais.
“Eu estando no partido, eu vou ser obrigado a seguir o que o partido definir, mesmo que eu não goste. Então eu não vou ser indisciplinado partidariamente. Não dá para a gente ficar no partido e querer contra o partido”, afirmou o ex-deputado ao comentar uma possivel candidatura de Cleitinho (Republicanos) ao governo do Estado.
Sobre a disputa ao Senado, no entanto, Cunha indicou preferência por Marcelo Aro (PP). “Aqui em Minas Gerais eu tenho, todo mundo sabe, uma relação com o Marcelo Aro, enfim, antiga. E eu pretendo, se possível, vou apoiá-lo ao Senado”.
Eduardo Cunha minimiza resistências de partidos e diz que legendas rejeitam a nomes fortes por medo de perder cadeiras
Questionado sobre as dificuldades para encontrar espaço partidário em Minas, Eduardo Cunha minimizou resistências e atribuiu a rejeição ao sistema proporcional, no qual candidatos mais votados podem ameaçar a reeleição de parlamentares já mandatários. “Os partidos hoje e os deputados que estão nos partidos não querem outro deputado na legenda, senão ele corre o risco de perder o mandato”, pontuou.
Sobre incômodos internos no Republicanos com sua filiação e desconfortos com Cleitinho, Cunha relativizou: “Vai ter sempre gente satisfeita com a presença, vai ter gente insatisfeita, isso sempre aconteceu em todos os lugares que eu tive e não vai ser diferente agora”, avaliou.
“Minas reflete o Brasil”
Cunha também rebateu críticas sobre sua candidatura em Minas Gerais e justificou a escolha do Estado como base eleitoral. Segundo ele, sua ligação com Minas se consolidou após mudança para Belo Horizonte e investimentos familiares no Estado. “ “Eu resolvi mudar minha vida política para Minas Gerais, por ser um Estado grande, um Estado que reflete a posição do país. Minas Gerais reflete o resultado do Brasil”.
*“Zema fez bom trabalho, mas teve condições favoráveis”, afirma Eduardo Cunha
Ao analisar a gestão do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), Cunha avaliou positivamente o desempenho do mineiro, mas ponderou que houve fatores externos favoráveis. “Eu acho que o Romeu Zema fez um bom trabalho, embora ele teve condições favoráveis a ele para isso. O acidente de Brumadinho permitiu o ingresso de indenização no caixa do Estado, e ele teve também adiamento do pagamento da dívida com a União”, analisou.
“Não há espaço para terceira via no país”, afirma Eduardo Cunha
Sobre a disputa presidencial de 2026, Cunha descartou espaço para candidaturas alternativas fora da polarização. “A eleição já está polarizada de uma tal maneira que, até por ser uma eleição de rejeição, ela já está definida”, afirmou o ex-deputado, que declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro à presidência.
Eduardo Cunha diz não se arrepender de impeachment de Dilma: “Se pudesse, teria feito mais rápido”
Figura central no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), Cunha afirmou que não se arrepende da condução do processo. “Eu teria feito talvez mais rápido o impeachment. Eu não me arrependo de nada”, afirmou o ex-presidente da Câmara, que ainda sustentou que o afastamento de Dilma abriu caminho para o avanço da direita no país: “Se eu não tivesse feito o impeachment, não teria existido Bolsonaro presidente da República”.
Ao comentar o programa Pé-de-Meia, Cunha comparou a iniciativa às pedaladas fiscais atribuídas a Dilma. “O Lula, com o programa Pé-de-Meia, se ele não tivesse tido uma decisão do Tribunal de Contas legitimando o que ele fez, ele poderia sofrer impeachment. Ele fez exatamente a mesma coisa que a Dilma fez”, afirmou.
Eduardo Cunha sai em defesa de Hugo Motta: “Ele está preso ao consenso”
Durante a entrevista, Cunha também saiu em defesa do atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), após as críticas sobre falta de firmeza no comando da Casa. “Ele está cumprindo os compromissos dele. Ele pode passar às vezes a sensação de indecisão, mas não é isso. É a tentativa de conciliação”, avaliou.
Ao analisar o protagonismo do Congresso no Orçamento, Cunha disse que fortalecimento do parlamento se deve a ele. “Isso foi graças a mim, porque eu aprovei a emenda impositiva. (...) Eu fui o precursor da introdução do fortalecimento do Poder Legislativo”, disse.
Caso Master
Sobre o escândalo envolvendo o Banco Master, Cunha criticou a atuação do Banco Central. “A maior falha foi de fiscalização, porque jamais um Banco Central poderia deixar chegar no estágio que chegou. É impossível não ter detectado sinais”, comentou.
Crise no Rio de Janeiro
Ao comentar a crise institucional no Rio, Cunha defendeu que a sucessão no governo estadual siga o rito constitucional. “Tem que ter uma eleição indireta pela Assembleia Legislativa para cumprir o resto do mandato. Isso é o que manda a Constituição”, afirmou.“O Rio está hoje na mão do crime fisicamente. Se não recuperar o controle físico, você não vai poder recuperar o controle político”.