Presidente AMM, Lucas Vieira | Café com Política

Presidente AMM, Lucas Vieira | Café com Política

Author: Jornal O TEMPO April 29, 2026 Duration: 14:23

O novo presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Iguatama, Lucas Vieira (PSB), afirmou que pretende adotar uma postura de diálogo e “maturidade” na relação com o governo de Minas Gerais, após os atritos entre o ex-presidente da entidade, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), e o governador Mateus Simões (PSD). Em entrevista ao Café com Política, exibida na quarta-feira (29/4) no canal de O TEMPO no Youtube, Vieira reforçou o caráter apartidário da associação, criticou a condução da privatização da Copasa e prometeu dar continuidade ao modelo de gestão de Falcão. 

Questionado sobre o histórico recente de tensão entre a AMM e o governo estadual, o novo presidente da AMM minimizou possíveis impactos e disse apostar na construção institucional. “Acredito que ambos, tanto o governador e a gente tem que ter maturidade suficiente para saber separar as coisas. O objetivo da AMM, o objetivo de qualquer gestor público de Minas Gerais é fazer políticas públicas de qualidade. A gente tem que ter maturidade suficiente para deixar de lado nossas diferenças e trabalhar para o povo”, afirmou.

O presidente também garantiu que a entidade não irá se envolver no processo eleitoral, mantendo neutralidade diante das disputas. “AMM já teve experiência em gestões anteriores, onde o presidente tomou partido para certa ideologia. Isso não acabou bem. Os próprios apoiadores daquela ideologia que o presidente tinha apoiado reclamaram. Isso não é o papel da AMM. Tem prefeito de direita, de esquerda, tem prefeito do PL, do PT, do centro, enfim. A AMM é apartidária. Eu falo que a ideologia da AMM é o municipalismo. A gente vai brigar para que os municípios estejam dentro do plano de governo de cada candidato”.

O prefeito de Iguatama reforçou ainda que, à frente da entidade, não pretende participar diretamente das campanhas. “A partir do momento que eu assumo a presidência da AMM, que é uma instituição apartidária e que engloba vários municípios, de vários partidos, eu tenho que ter a responsabilidade de não entrar nessa campanha política, porque eu acho que isso pode afetar todo o respeito, todo o mérito que conseguiu até hoje”, completou. 

Copasa: críticas, pressão e negociação

Durante a entrevista, o novo presidente da AMM falou sobre pressão do governo de Minas Gerais e da Copasa sobre prefeitos para a renovação dos contratos de saneamento. Vieira criticou a condução do processo e defendeu maior apoio técnico às prefeituras. Segundo o prefeito de Iguatama,  os municípios precisam de parceria, e não de pressão, para tomar decisões sobre o tema. “Ao invés de fazer pressão, a gente tem que buscar construir, buscar ajudar os municípios, sobretudo os municípios pequenos. É no município que a vida acontece. Então, ao invés de pressionar, a gente tem que andar junto com os prefeitos”, disse.

Para Vieira, o problema começa na origem da discussão sobre a privatização da Copasa, que, segundo ele, não contou com a participação dos municípios. “Eu falo que esse processo de privatização é um processo que começou errado. Ninguém ouviu os prefeitos, ninguém chamou os prefeitos, nem a associação que representa os municípios mineiros. Não fomos ouvidos para saber se valia a pena privatizar, sendo que isso vai afetar diretamente os municípios e os cidadãos”, afirmou.

Vieira reforçou ainda que a entidade não orienta uma decisão única e que cabe a cada prefeito avaliar sua realidade. “Não cabe a mim tomar essa decisão se o prefeito assina ou não o contrato. O que cabe a gente é levar informação, porque são 853 municípios, cada um com uma realidade diferente. A privatização pode ser positiva para um e negativa para outro”.

Apesar das críticas, segundo Vieira, a AMM passou a atuar como mediadora nas negociações com a companhia. “Conseguimos construir um acordo com a Copasa para que os municípios que aderirem ao contrato possam ter a antecipação do pagamento do Fundo de Saneamento e também a prorrogação do prazo para o início da cobrança da tarifa de esgoto”, explicou o presidente, que destacou que as medidas buscam evitar impactos diretos à população e dar mais tempo para adaptação. “Imagina você chegar na sua cidade e falar: ‘agora tem mais uma tarifa para pagar’. Então nós ganhamos esse tempo de preparo, de informar melhor a população, para que a decisão seja mais sólida e não prejudique os municípios”, explicou.

Continuidade na gestão

O novo presidente da AMM garantiu que sua gestão à frente da entidade será de continuidade em relação ao trabalho desenvolvido por Falcão, com manutenção do modelo de decisões coletivas. “O ex-presidente Falcão sempre fez questão de fazer uma gestão compartilhada, de ouvir toda a diretoria, de ouvir as nossas opiniões, de tomar decisão em conjunto. Então, a gente vai imprimir sim o meu ritmo de gestão, mas vai ser uma gestão de continuidade, daquilo que a gente já vinha fazendo”, afirmou.

Apesar da continuidade, ele destacou que pretende ter uma atuação mais próxima do dia a dia da entidade. “Eu gosto de ficar mais perto da AMM. Já estou dividindo os dias, gosto de acompanhar mais de perto, estar junto com a equipe, porque acho que a gente pode construir mais coisas juntos”, disse.

O novo presidente reforçou também que a prioridade da sua gestão será fortalecer o municipalismo e garantir melhores condições para os municípios mineiros, tanto no debate com o governo estadual quanto nas discussões nacionais.


No ritmo acelerado da política, é fácil perder os detalhes que realmente importam. O Café com Política, produzido pela redação do Jornal O TEMPO, oferece um espaço diferente. Aqui, a conversa vai direto ao ponto com quem está no centro das decisões. Semanalmente, traz entrevistas aprofundadas com os principais líderes políticos de Minas Gerais e do Brasil, indo desde o Presidente da República e governadores até senadores, deputados, vereadores e representantes de entidades da sociedade civil. O fio condutor são os assuntos mais prementes e evidentes da semana, aqueles que dominam o noticiário e afetam a vida do cidadão. A proposta é clara: questionar sobre tudo aquilo que o público realmente quer saber, buscando respostas e explicações além dos discursos prontos. Ouvir este podcast é como ter acesso a uma conversa franca e informada, que descompacta a complexidade do cenário político atual. As entrevistas buscam clareza e contexto, oferecendo aos ouvintes uma ferramenta para entender não apenas o que está sendo decidido, mas também os motivos e os personagens por trás dessas decisões. É uma análise direta da fonte, ideal para quem quer acompanhar os rumos do estado e do país com um nível extra de profundidade e informação jornalística qualificada.
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