Café com Política
O deputado federal e ex-governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg (PSB) irá protocolar um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para pressionar a Câmara dos Deputados a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master. Em entrevista ao programa Café com Política, exibido nesta terça-feira (10/3) no canal no YouTube de O TEMPO, o parlamentar criticou as justificativas do presidente da Casa, o deputado federal Hugo Motta (Republicanos), e considerou que “falta vontade política” em relação ao caso.
As investigações envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro abarcam uma eventual gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB), após o banco estatal ter feito uma proposta de compra do Master, que acabou indeferida pelo Banco Central em setembro do ano passado. Além disso, um inquérito específico apura se Vorcaro ocultou sua participação como acionista do BRB enquanto a instituição comprava carteiras de crédito do Master.
Para Rollemberg, há indicadores de que teria “interferência política” nas polêmicas envolvendo o Banco Master e o BRB, por esta se tratar de uma instituição pública. Desta forma, o deputado federal vê a necessidade de instaurar uma CPI, mas o pedido estaria esbarrando no presidente da Câmara, Hugo Motta. Motta chegou a dizer que não seria possível abrir uma comissão do tipo porque o Regimento Interno da Casa prevê uma ordem cronológica dos pedidos de instalação de CPIs.
“O que o Regimento Interno proíbe é o funcionamento simultâneo de mais de cinco comissões parlamentares de inquérito. Não existe nenhuma em funcionamento neste momento. Portanto, não há nenhuma razão objetiva, legal, legítima para não instalar o que há de fato, e a gente sabe disso”, rebate Rollemberg. “É uma falta de vontade política de instalar essa CPI que a gente está percebendo que ela atinge vários líderes, especialmente do ‘centrão’, e, portanto, essa falta de disposição.”
Diante da dificuldade, o deputado federal prometeu acionar o STF para pressionar a abertura da comissão de inquérito na Câmara, por meio de um mandado de segurança. Rollemberg lembra que já reuniu 200 assinaturas para abertura da CPI. No total, são necessárias 171.
Questionado se o ano eleitoral poderia também interferir nos trabalhos de uma eventual CPI, o parlamentar concorda que “aperta”, mas argumenta que a Câmara dos Deputados será cobrada pela população caso se omita em relação ao tema.
“Nesse momento, nós estamos diante de fatos muito graves e, portanto, é dever da Câmara Federal, no meu entendimento, investigar como é direito da população brasileira saber tudo o que aconteceu em relação ao Banco Master”, justifica.