Café com Política
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que sua eventual candidatura à Presidência se diferencia da do senador Flávio Bolsonaro (PL) principalmente pela independência política e pelas posições que diz adotar com mais firmeza em relação a temas institucionais. Em entrevista ao Café com Política, no canal de O TEMPO no YouTube, Zema disse que o Partido Novo, legenda à qual é filiado, tem uma linha mais coerente do que outras siglas da direita. “Eu venho de um partido pequeno que é totalmente coerente. Se você olhar as votações lá na Câmara Federal, você vai ver que o Novo vota 100% em determinadas pautas. O PL parece que tem de tudo lá dentro”, afirmou.
Zema também descartou a possibilidade de abrir mão da candidatura para compor como vice de Flávio Bolsonaro e disse que não recebeu convite formal nesse sentido. Segundo ele, a tendência é que os nomes da direita disputem o primeiro turno separadamente. “Já houve diversas notícias que eu teria sido convidado para ser vice do Flávio Bolsonaro. Não houve nenhum convite formal e nem deve haver, porque eu tenho sido muito incisivo. Eu serei pré-candidato e candidato até o final”, afirmou. Apesar disso, o governador disse acreditar em convergência no segundo turno. “Caso algum deles vá para o segundo turno contra o PT, eu estarei junto.”
Durante a entrevista, o governador também fez críticas duras ao Supremo Tribunal Federal (STF) e acusou integrantes da Corte de utilizarem o cargo para benefício pessoal. Sem citar diretamente todos os nomes, Zema afirmou que parte dos ministros estaria envolvida em interesses privados. “Primeiro, eu acho que tem ministros que estão lá para enriquecer, para fazer negócio e não para poder olhar o interesse do povo brasileiro”, disse.
O governador também respondeu a críticas do ministro Gilmar Mendes, que questionou o fato de Zema criticar o Supremo ao mesmo tempo em que o governo mineiro recorre ao tribunal para resolver disputas, inclusive fiscais. Zema negou qualquer tipo de obrigação política decorrente de decisões favoráveis ao Estado. “Todo mundo, boa parte dos brasileiros, tem uma ação na Justiça. Todo juiz tem que tomar uma decisão. Você acha que quando um juiz decide favoravelmente alguém porque aquele alguém tem razão, aquele que foi beneficiado da decisão passa a ter dívida com o juiz? Na minha opinião, não existe isso não. Ele decidiu favorável ao Estado de Minas. Agora o Estado fica com dívida com ele? Não. Ele é pago para ser juiz e para decidir”, afirmou.
Questionado sobre o caso envolvendo o Banco Master, o governador disse não ter qualquer ligação com a instituição e afirmou que defende uma investigação ampla. “Eu não tenho rabo preso. Então, eu estou contra o que é errado”, declarou. Zema disse que eventuais irregularidades precisam ser apuradas independentemente de quem esteja envolvido. “Eu quero uma apuração e uma investigação. Se alguém fez algo errado que pague.”
No cenário político estadual, o governador descartou mudanças no acordo firmado com o PSD para a sucessão em Minas Gerais e reiterou apoio ao vice-governador Mateus Simões (Novo). “O acordo com o PSD está feito e, se esse acordo não for rompido pelo PSD, nós vamos cumprir até o final e o meu apoio é ao Mateus Simões”, disse.
Zema também comentou a possibilidade de candidatura do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, ao governo do Estado. O governador elogiou a atuação do empresário à frente da entidade, mas disse que isso não altera o compromisso político já firmado. “Ele fez uma gestão excepcional na Fiemg”, afirmou, acrescentando que o acordo político com Simões permanece.
Ao final da entrevista, Zema também avaliou alguns nomes da política nacional. Ao comentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que o considera “totalmente ultrapassado e incompetente”. Sobre o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), disse que o vê como “um desagregador, incompetente”. Já o senador Cleitinho (Republicanos) foi classificado pelo governador como “um ótimo comunicador”. Ao falar do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), Zema afirmou que o parlamentar “olhou muito pelos interesses de Minas Gerais”.