Ciência em Movimento
Em diversos programas da nossa coluna Ciência em Movimento, vocês puderam verificar a importância do exercício físico para colhermos os frutos de uma vida mais saudável e de melhor qualidade. O que pouca gente sabe é que a ciência também tem mostrado a importância do exercício físico para ajudar no tratamento dependentes químicos. No Brasil, estima-se que 22,8% da população já fez uso de drogas na vida, isso sem considerar o tabaco e o álcool. Um estudo pioneiro na cidade de Londrina, realizado pelo grupo do Professor Hélio Serassuelo Júnior do Departamento de Ciências do Esporte da UEL, avaliou o efeito de um treinamento físico para auxiliar pacientes a superarem a dependência química. O estudo foi conduzido durante o mestrado do aluno Bruno Malagodi, e contou com a participação de mais de 100 indivíduos que apresentavam alguma dependência química, como o álcool ou substâncias psicotrópicas ilícitas. Uma parcela desse grupo foi submetida a um treinamento físico de visava o desenvolvimento de força, resistência e flexibilidade. Os resultados da pesquisa foram realmente motivadores. O programa de exercícios físicos mostrou melhorias na aptidão física e do equilíbrio corporal. Alguns pacientes ainda apresentaram melhora no quadro de estigma internalizado, ou seja, a forma como o indivíduo se torna consciente dos estereótipos negativos que as outras pessoas endossam e concorda pessoalmente com esses estereótipos e ainda aplica esses estereótipos a si mesmo. É importante o paciente recorra a um acompanhamento de uma equipe multidisciplinar formada por médicos, psicólogos, psiquiatras, nutricionistas e também profissionais da Educação Física, que o paciente acredite nessa equipe e também na força que ele mesmo tem para superar as drogas.