Balança comercial tem aumento de 85,8% em seu saldo positivo em janeiro
Author: Ecio Costa
February 6, 2026
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O superávit de US$ 4,3 bilhões foi quase o dobro do observado no mesmo mês de 2025, quando o saldo havia sido de US$ 2,3 bilhões. O resultado vem de uma maior concentração em exportações para a China e de produtos agrícolas, combinado com redução do comércio com os EUA, tanto em exportações como em importações. A concentração cada vez maior em exportações para um único destino continua trazendo preocupações.
Em janeiro, as exportações somaram US$ 25,2 bilhões, apresentando uma leve queda de 1% em relação a janeiro do ano passado. Já as importações totalizaram US$ 20,8 bilhões, com forte recuo de 9,8%. Esse movimento de retração mais forte das importações foi decisivo para a ampliação do saldo positivo. Ainda assim, o superávit ficou abaixo do recorde histórico para meses de janeiro, registrado em 2024, quando o saldo atingiu US$ 6,2 bilhões.
Na análise por parceiros comerciais, a China manteve papel central no desempenho da balança. O Brasil registrou superávit de US$ 720 milhões no comércio com o país asiático, em janeiro, resultado impulsionado pelo avanço das exportações, que alcançaram US$ 6,47 bilhões, alta de 17,4% em relação ao mesmo mês de 2025 e representando 25,7% do exportado. As importações provenientes da China, por sua vez, somaram US$ 5,76 bilhões, com queda de 4,9% na comparação anual e representando 27,7% do total importado em janeiro.
Com os EUA, o cenário foi diferente. O Brasil registrou déficit de US$ 670 milhões, refletindo a combinação de queda de 25,5% frente a janeiro de 2025 nas exportações para US$ 2,4 bilhões e de 10,9% das importações, para US$ 3,1 bilhões no mesmo período. No comércio com a União Europeia, o saldo foi positivo em US$ 310 milhões, enquanto com a Argentina o superávit chegou a US$ 150 milhões, apesar de uma queda de 25% das exportações para lá.
O mês apresenta mais uma tendência do impacto da política tarifária dos EUA no Brasil, redirecionando o comércio internacional brasileiro para outros destinos, com a combinação do aumento expressivo de exportações de soja para a China (91,7% de aumento). A continuidade da negociação entre o Mercosul e a União Europeia deve trazer modificações nesses números, mas ainda com efeitos de médio prazo. Importante acompanhar o seu desdobramento.