Em dia de superquarta, tudo deve permanecer como está!
Author: Ecio Costa
January 28, 2026
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No Brasil, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve manter a taxa de juros nos atuais 15% ao ano. Nos EUA, o Federal Reserve, por meio do FOMC, também deve optar pela manutenção dos juros em 3,75% ao ano.
Nos EUA, há uma forte tensão entre o presidente Donald Trump e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Trump vem pressionando Powell e a autoridade monetária a acelerarem o processo de redução dos juros. No entanto, o consenso do mercado é de que a redução não deve ocorrer nesta reunião de janeiro. A expectativa é de manutenção, enquanto o Fed segue aguardando sinais mais claros do comportamento da economia, especialmente em relação ao mercado de trabalho e à inflação, que tem demorado a ceder por lá.
Além disso, há um processo envolvendo o presidente do Federal Reserve que também tem chamado a atenção do mercado. Por isso, será especialmente importante acompanhar o discurso de Powell após a decisão de juros para entender melhor qual rumo a economia americana deve seguir e a explicação referente à decisão tomada.
Aqui no Brasil, o mercado deve acompanhar com mais atenção não exatamente a decisão, mas o comunicado que a acompanha. As apostas para o início da flexibilização monetária nesta reunião perderam força. A maior parte do mercado acredita que os cortes só devem começar a partir de março, em um ritmo de 0,5 p.p. por reunião, possivelmente até setembro. Isso significaria cinco cortes seguidos, para talvez chegar a uma pausa em novembro e dezembro, encerrando o ano com a taxa entre 12% e 12,5%.
Para isso, o Copom vai ficar de olho nos dados de inflação, no mercado de trabalho, na atividade econômica e, principalmente, nas perspectivas de cortes de gastos do governo para 2027. Como este é um ano eleitoral, os gastos devem continuar em patamares elevados. O Copom tende a observar quais reformas fiscais os candidatos à eleição deste ano estarão propondo, já que um ajuste em 2027 parece cada vez mais inevitável.
Deve haver um ajuste fiscal forte no próximo ano para tentar conter o ritmo acelerado de crescimento da relação dívida/PIB, que já se aproxima de 80% e pode até ultrapassar esse patamar ainda neste ano. Portanto, tudo indica que, pelo menos na reunião de hoje, tanto nos EUA quanto no Brasil, o cenário será de manutenção das taxas de juros.