O setor de serviços apresentou variação positiva de apenas 0,1% em fevereiro na comparação com janeiro
Author: Ecio Costa
April 14, 2026
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Apesar do fraco avanço, o setor mantém um nível de atividade elevado: encontra-se 20,0% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e volta a igualar o ponto mais alto da série histórica, anteriormente registrado em novembro de 2025. Na comparação interanual, o crescimento foi de 0,5%, marcando o 23º resultado positivo consecutivo. No acumulado do primeiro bimestre, a expansão chega a 1,9%, enquanto em 12 meses desacelera para 2,7%, indicando perda de fôlego frente ao observado no início do ano.
A leve alta mensal foi puxada principalmente pelos serviços de informação e comunicação (1,1%) e pelos transportes (0,6%), além da recuperação dos serviços prestados às famílias (1,4%), que reagiram após queda em janeiro e registraram o melhor desempenho desde março de 2025. Por outro lado, houve recuo nos serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,3%), que acumulam três quedas consecutivas, e em outros serviços (-0,4%), que devolveram parte do forte avanço do mês anterior.
Na comparação com fevereiro de 2025 o crescimento foi de 0,5%. O principal destaque positivo foi o segmento de informação e comunicação (4,9%), impulsionado sobretudo por serviços ligados à tecnologia da informação, como consultoria em TI, processamento de dados e serviços digitais. Também contribuíram positivamente os serviços prestados às famílias (4,2%), com destaque para restaurantes e hotéis, e os serviços profissionais e administrativos (0,8%), associados ao avanço de plataformas digitais. Em contrapartida, os transportes (-2,8%) exerceram o maior impacto negativo, pressionados por quedas no transporte aéreo de passageiros, logística de cargas e atividades portuárias, seguidos por outros serviços (-2,8%), afetados por retrações em atividades financeiras auxiliares e seguros.
No acumulado do ano, o crescimento de 1,9% foi sustentado principalmente por informação e comunicação (5,6%), reforçando o papel estrutural do setor tecnológico na expansão dos serviços. Também contribuíram positivamente os serviços profissionais (2,4%) e os prestados às famílias (3,0%), refletindo tanto a digitalização da economia quanto a recuperação gradual do consumo de serviços presenciais. Por outro lado, os transportes (-1,0%) e outros serviços (-0,4%) limitaram o avanço.
Do ponto de vista regional, apenas 13 das 27 unidades da federação registraram crescimento, com destaque para Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul, enquanto São Paulo exerceu a principal influência negativa. Já na comparação interanual, o crescimento foi ainda mais concentrado, alcançando apenas 9 estados, com São Paulo liderando as contribuições positivas. No acumulado do ano, 15 estados apresentaram expansão, embora ainda existam quedas relevantes em economias importantes como Rio de Janeiro e Minas Gerais.
O setor de serviços continua sendo o mais resiliente na economia, mesmo com as altas taxas de juros sendo praticadas. Em ano de eleição, o setor tende a continuar sendo demandado, via estímulos fiscais, mas também pela demanda de serviços relacionados ao período eleitoral. É importante, de todo jeito, acompanhar seu desempenho com a continuidade da redução da taxa de juros, caso ela venha a se confirmar nos próximos meses.