Chinaina defende uso criativo da inteligência artificial e critica domínio dos algoritmos na música #70
Author: InterD - música e conhecimento
July 9, 2026
Duration: 13:41
A inteligência artificial pode ampliar as possibilidades criativas dos artistas, desde que seja utilizada com critério e sensibilidade. Essa é a avaliação do cantor, compositor e apresentador Chinaina, que falou sobre o tema em entrevista ao InterD, programa apresentado por AD Luna* e veiculado pela Universitária FM do Recife. Durante a conversa, que foi ao ar na quarta (08/7/2026), ele apresentou detalhes sobre seu novo projeto na televisão, o Caça Joia Clipes, que estreou em maio de 2026 no Canal Futura e está disponível gratuitamente na Globoplay.
Segundo Chinaina, o programa nasceu da percepção de que a produção audiovisual da música independente brasileira cresceu de forma expressiva nos últimos anos, sem que surgissem espaços proporcionais para sua divulgação. "Eu só via a produção de clipe independente aumentar toda hora e não via lugar para essa produção. Vivendo no reinado do algoritmo, fica muito difícil as pessoas descobrirem novos artistas", afirmou. A proposta do Caça Joia Clipes, explica, é justamente funcionar como uma vitrine para essa produção que muitas vezes permanece invisível nas plataformas digitais.
O compromisso com essa ideia começou ainda na seleção dos participantes. Chinaina conta que ele e a diretora do programa, Pamela Gachido, assistiram pessoalmente a mais de quatro mil videoclipes inscritos. "Quando eu mando o meu material para alguém, eu espero que essa pessoa escute. Isso é uma forma de respeitar a música e o tempo desse artista. Então foi uma curadoria feita como os antigos faziam. A gente sentou e assistiu aos quatro mil clipes."
Além da qualidade artística, a equipe buscou representar a diversidade da música brasileira. "Era importante ter cuidado com a questão de gênero, contemplar diversos estilos musicais e mapear a música brasileira como um todo. Acho que todos os estados estão representados nessa primeira edição." Para ele, a criatividade também teve peso decisivo. "A cena independente brasileira faz coisas de tremenda qualidade. Muitas vezes, com pouquíssima grana, a galera consegue fazer um material superinteressante."
Essa postura também se reflete na forma como o programa lida com os critérios de seleção. Enquanto as plataformas digitais priorizam métricas de engajamento, Chinaina diz que o Caça Joia Clipes ignora completamente esses indicadores. "A gente descarta essa lógica do algoritmo fazendo o que tem que fazer: assistindo a tudo, sendo muito curioso, pesquisando, indo atrás das coisas." E completa: "A última coisa que a gente analisa — na verdade, nem analisa — são os números de players ou de seguidores. Sinceramente, a gente está cagando para esse tipo de coisa. O que importa é o talento, a inventividade e a criatividade. Os números a gente deixa para os matemáticos."
Ao comentar o avanço da inteligência artificial, Chinaina adotou uma posição equilibrada, distante tanto do entusiasmo irrestrito quanto do pessimismo. Para ele, a IA é mais uma ferramenta disponível aos artistas. "Eu vejo que a IA está aí e a gente tem que saber usar. Toda tecnologia traz uma coisa boa e uma coisa ruim." Embora reconheça que já exista "uma quantidade de música ruim feita por IA" e "músicas sem alma", ele acredita que isso não define o potencial da tecnologia. "Sabendo usar bem a IA, ela pode ser uma ferramenta."
Como exemplo, citou o trabalho recente de Lúcio Maia. "O Lúcio Maia acabou de lançar um disco e os clipes dele foram todos feitos em IA. Tem um resultado muito legal e um desses clipes está no Caça Joia Clipes." Chinaina também lembrou de um videoclipe da cantora e instrumentista Lívia Matos. "Ela fez um clipe incrível usando IA, mas isso é feito com muito bom gosto."
Na visão do apresentador, o diferencial está justamente na forma como a tecnologia é empregada. "Se for para ser só uma cópia do que já existe, do que é a própria lógica da IA, saindo roubando um pouquinho de todo conceito artístico para...