A arrecadação federal cresceu 3,65% em 2025 e bateu um recorde histórico
Author: Ecio Costa
January 24, 2026
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O total arrecadado foi de R$ 2,88 trilhões no ano passado, segundo a Receita Federal. Este foi o maior valor desde o início da série histórica, em 1995. Mas isso é bom para você, para mim, para todos que estamos pagando impostos em um montante cada vez maior? O desempenho do ano foi ajudado por medidas arrecadatórias adotadas pelo governo. Ao longo da atual gestão, desde que o governo Lula tomou posse, com Fernando Haddad à frente do Ministério da Fazenda, inúmeras medidas foram adotadas para elevar a arrecadação e, com isso, dar mais espaço orçamentário para que o governo pudesse gastar mais. Tanto que o ministro Haddad vem sendo alvo de vários memes, inclusive sendo chamado de Taxad.
Mas não foi apenas o aumento das medidas arrecadatórias que contribuiu para esse recorde de arrecadação. A economia brasileira também vem sendo, de certa forma, resiliente. A atual política monetária opera com uma taxa de juros bastante elevada, em torno de 15% ao ano, justamente para tentar conter a inflação, que é muito influenciada pelo excesso de gastos promovido pelo próprio governo. Ainda assim, a atividade econômica segue resiliente, sustentada, principalmente, pelo setor de serviços.
Esses dois fatores, o crescimento ainda resiliente da economia, especialmente dos serviços, e a expansão fiscal, combinados com o aumento de impostos, como o IOF e outros tributos, ajudaram a impulsionar a arrecadação. No final, o aumento de arrecadação para ampliar os gastos do governo acaba fazendo com que o setor produtivo seja cada vez mais penalizado. Produtos e serviços ficam cada vez mais caros, e a dependência da população e das empresas em relação ao setor público também aumenta de forma considerável.
Isso tende a trazer um crescimento econômico mais fraco ao longo do tempo, porque quanto mais engessada é a economia de um país, mais difícil se torna o seu desenvolvimento econômico. Empresas e pessoas passam a depender excessivamente do Estado e do direcionamento da política econômica. O estado, por sua vez, gasta de forma ineficiente, com poucos retornos para a sociedade, mediante o tamanho do orçamento que tem. Países que adotam medidas para redução da carga tributária e maior eficiência nos gastos, através de reformas estruturais, traçam um caminho virtuoso de desenvolvimento econômico sustentável, muito diferente do que é visto hoje no país.
Espera-se que, num futuro próximo, haja uma correção, com a trajetória redimensionada para uma redução do tamanho do Estado combinada com gastos mais eficientes, capazes de garantir que a população seja bem atendida em educação, saúde, segurança e infraestrutura, mas com uma carga tributária menor, resultado de uma melhor gestão dos recursos públicos. E a preocupação já está logo ali, em 2027, quando mesmo com arrecadação recorde, os gastos obrigatórios irão tomar 100% do orçamento do próximo ano.