A Bomba (Fiscal) dos Combustíveis: Os Jabutis Cobram a Conta no Câmbio
Author: Ecio Costa
August 13, 2026
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O Congresso Nacional e o Governo, alinhados, deram mais uma demonstração alarmante de descompromisso econômico. A aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, o PLP dos Combustíveis, transformou-se em mais um atestado de irresponsabilidade fiscal. O que nasceu como medida para amortecer o impacto da guerra no Oriente Médio sobre os preços da gasolina e do diesel, converteu-se em um Frankenstein legislativo, repleto de bilhões em renúncias.
No jargão político, jabuti é a inclusão de temas estranhos ao propósito de um projeto. E a Câmara transformou o PLP 114 em um viveiro deles. O texto abrigou flexibilizações da Lei de Responsabilidade Fiscal, abrindo espaço para abatimentos tributários de grandes indústrias e até a concessão de isenções para a Copa do Mundo Feminina de 2027. Além disso, o pacote reservou R$ 1,2 bilhão em subvenções a produtores de etanol e permitiu o uso de saldos credores para quitar débitos federais, dentre outras medidas.
Essa enxurrada de bondades representa mais uma bomba fiscal armada. Em um país que já luta com déficits primários, embutir bilhões em renúncias num projeto que deveria apenas estabilizar o preço dos combustíveis na bomba comprova a falta de austeridade. O Congresso sinaliza aos agentes econômicos que as regras fiscais, como o arcabouço, são maleáveis por conveniência política.
A fatura dessa indisciplina é cobrada de imediato, com forte impacto no câmbio e recomendações de retiradas de investidores do país. Quando o mercado percebe que o Brasil não leva a sério suas contas públicas, o prêmio de risco dispara. O capital foge, pressionando nossa moeda. Não por acaso, na esteira dessas incertezas fiscais turbinadas pelo pacote, o Dólar comercial operou em forte alta, batendo a casa dos R$ 5,19.
O impacto de um dólar elevado chega ao bolso de cada cidadão. A moeda americana cara encarece importações — ironicamente, o próprio petróleo —, gera inflação importada e contamina diversas cadeias produtivas. Para conter os preços, o Banco Central é forçado a manter a Selic em patamares restritivos, estrangulando o crescimento.
O PLP dos combustíveis é o retrato de uma política míope. Ao embutir jabutis e privilégios numa pauta popular, o Congresso sacrifica a estabilidade e empurra para a sociedade a pesada conta da inflação e do câmbio descontrolado.