Exportações para os EUA caem 37,9% e concentração na China aumenta, um risco
Author: Ecio Costa
November 7, 2025
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A balança comercial brasileira fechou outubro com um superávit de US$ 6,96 bilhões, resultado que representa um aumento de 70,2% em relação a outubro do ano passado. Esse foi o segundo melhor resultado para o mês em toda a série histórica, ficando atrás apenas de 2023, quando o saldo positivo chegou a US$ 9,18 bilhões. No acumulado de 2025, o Brasil já exportou US$ 289,7 bilhões e importou US$ 237,3 bilhões, com um saldo comercial de US$ 52,4 bilhões.
Os destaques das exportações foram a indústria extrativa e a agropecuária. As vendas de óleos brutos de petróleo cresceram 9%, e as de minério de ferro avançaram 29,5%. Na agricultura, a soja teve forte aumento de 42,7% e o café não torrado cresceu 16,1%. Já na indústria de transformação, o destaque ficou com a carne bovina, que subiu 40,9% em valor exportado, enquanto itens como celulose e óleos combustíveis recuaram por causa da queda de preços. Entre os destinos, a Ásia continua sendo o principal mercado, puxada pela China, que aumentou as importações em 33,4%. Em contrapartida, as vendas para a América do Norte caíram 24,1%, com forte queda de 37,9% nos embarques para os EUA.
Já as importações tiveram crescimento nas compras de produtos industriais e queda na indústria extrativa. Se destacaram os motores e máquinas não elétricas, com avanço de 37,5%, refletindo maior demanda do setor produtivo. Por outro lado, houve retração nas importações de partes e acessórios automotivos (-14,7%), compostos químicos (-15,7%) e óleos brutos de petróleo (-28,2%), este último afetado pela redução nos preços e no volume comprado. Entre as origens, a Ásia segue liderando as vendas ao Brasil, com US$ 9,78 bilhões, sendo US$ 6,44 bilhões da China (25,7% do total importado), enquanto dos EUA aumentaram 9,6% para 15,9% de participação com US$ 3,98 bilhões.
Apesar do bom desempenho no mês, o comércio com os EUA perdeu força. As exportações para o mercado norte-americano caíram 37,9% em outubro, totalizando US$ 2,2 bilhões, ante US$ 3,57 bilhões no mesmo mês de 2024. Com isso, a participação dos EUA nas vendas externas do Brasil caiu de 12,2% para 6,9%. No acumulado do ano, as exportações brasileiras para os EUA somam US$ 31,46 bilhões, uma queda de 4,5% em relação ao mesmo período de 2024. Já as importações de produtos americanos aumentaram 11,6%, atingindo US$ 38,29 bilhões.
O resultado do mês mostra uma mudança de destinos e concentração cada vez maior no mercado chinês, o que vem como alternativa para o tarifaço de Trump, que ainda está por ser resolvido e não se ouve mais nada desde o encontro entre Trump e Lula na Malásia. O aumento da concentração na China, que tem negociado um acordo comercial com os EUA e que impacta importantes commodities brasileiras do agro, preocupa, pois oferece um risco ao mercado exportador brasileiro, que não consegue diversificar para outros países no curto prazo.