Inflação ganha força em fevereiro e traz dúvidas em relação ao início da queda da Selic
Author: Ecio Costa
March 12, 2026
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O IPCA registrou alta de 0,70% no mês, resultado acima do observado em janeiro, quando o índice havia avançado 0,33%. Com isso, a inflação acumulada no ano chegou a 1,03%, enquanto no acumulado de 12 meses ficou em 3,81%, abaixo dos 4,44% registrados no período imediatamente anterior. Para efeito de comparação, em fevereiro de 2025 o índice havia sido significativamente mais alto, com variação de 1,31%, mas ainda assim trouxe preocupações diante do horizonte de aumento de preço de combustíveis pela frente.
O resultado de fevereiro foi influenciado principalmente pelo comportamento dos preços no grupo Educação, que apresentou alta de 5,21% e respondeu sozinho por 0,31 p.p. do IPCA, cerca de 44% da inflação do mês. Esse movimento está associado aos reajustes tradicionalmente aplicados no início do ano letivo. Dentro do grupo, os cursos regulares tiveram aumento de 6,20%, com destaque para as elevações no ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%).
Outro grupo que exerceu pressão relevante sobre a inflação foi o de Transportes, que registrou alta de 0,74% e impacto de 0,15 p.p. no índice geral. O destaque foi a passagem aérea, que avançou 11,40%, além das altas no seguro de veículos (5,62%), conserto de automóvel (1,22%) e ônibus urbano (1,14%). Em várias capitais houve atualização das tarifas do transporte coletivo, como em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Recife, onde houve reajuste no início de fevereiro. Por outro lado, os combustíveis ajudaram a limitar uma pressão inflacionária ainda maior. No mês, o grupo registrou queda de 0,47%, puxada principalmente pela redução da gasolina (-0,61%) e do gás veicular (-3,10%).
No grupo Alimentação e bebidas, os preços subiram 0,26%, uma leve aceleração em relação aos 0,23% de janeiro. A alimentação no domicílio avançou 0,23%, com aumentos expressivos em alguns itens, como açaí (25,29%), feijão-carioca (11,73%), ovo de galinha (4,55%) e carnes (0,58%). Em contrapartida, outros produtos importantes registraram queda, caso das frutas (-2,78%), óleo de soja (-2,62%), arroz (-2,36%) e café moído (-1,20%). Já a alimentação fora do domicílio desacelerou, passando de 0,55% em janeiro para 0,34% em fevereiro.
Entre os demais grupos, Saúde e cuidados pessoais avançou 0,59%, influenciado principalmente pelos artigos de higiene pessoal (0,92%) e pelos planos de saúde (0,49%). O grupo Habitação registrou alta de 0,30%, após ter apresentado queda no mês anterior. O resultado foi puxado principalmente pelos reajustes nas taxas de água e esgoto, enquanto a energia elétrica residencial teve variação de 0,33%, mesmo com a manutenção da bandeira tarifária verde.
Na análise regional, a maior variação do IPCA em fevereiro foi registrada em Fortaleza, com alta de 0,98%, influenciada principalmente pelos aumentos nos cursos regulares e no preço da gasolina. Já a menor variação ocorreu em Rio Branco, onde o índice avançou apenas 0,07%, refletindo quedas nos preços da energia elétrica e do automóvel novo. Entre as principais capitais do país, São Paulo registrou inflação de 0,97%, enquanto Recife apresentou alta de 0,73% no mês.
Os olhos estão todos voltados para a próxima reunião do COPOM onde há uma expectativa de início de cortes na Selic, mas o contexto atual de elevação de preços de combustíveis pode jogar um balde de água fria neste cenário. Apesar do resultado ter sido de elevação da inflação na comparação mensal, em relação ao ano passado foi menor, trazendo o acumulado de 12 meses para um patamar abaixo de 4%, mas que pode se reverter com o resultado de março, caso os preços dos combustíveis sigam o aumento do preço do barril de petróleo.