Número de empresas que entraram em recuperação judicial bateu recorde em 2025
Author: Ecio Costa
February 5, 2026
Duration: 0:00
Segundo levantamento feito pelo Monitor RGF de Recuperação Judicial e compartilhado com o Valor Econômico, o ano de 2025 fechou com um recorde de 5.680 empresas em recuperação judicial no país, um aumento de 24,3% em relação ao estoque registrado no fim de 2024.
Ao todo, 1.665 companhias entraram em processo de reestruturação ao longo do ano passado, uma alta de 35,2% em relação a 2024, enquanto 561 empresas saíram da recuperação judicial. O levantamento também mostra que, somente no último trimestre, 510 empresas buscaram o Judiciário para se reestruturar, outro número sem precedentes, com crescimento de 7,5% em relação ao trimestre anterior.
O valor dos passivos devidos pelas empresas também cresceu. As dívidas declaradas por essas 510 empresas somam cerca de R$ 40 bilhões, mais do que o dobro dos R$ 16 bilhões registrados no terceiro trimestre de 2025. Quase metade desse montante vem de apenas uma empresa, a indústria petroquímica UniGeo, que declarou R$ 19 bilhões em dívidas ao pedir recuperação judicial em outubro do ano passado.
É importante destacar que o número de empresas em recuperação judicial ainda representa uma minoria em relação ao total de empresas do país: são 2,13 empresas a cada mil empresas ativas, segundo o Índice RGF de Recuperação Judicial. Ainda assim, a crise é mais acentuada no setor agropecuário, com 13,53 empresas a cada mil, seguido pela indústria, com 6,74, e pela infraestrutura, com 4,11. Abaixo da média nacional estão o comércio, com 1,81, e os serviços, com 1,02.
O estado que apresentou a maior alta anual de empresas em recuperação judicial foi Mato Grosso do Sul, com crescimento de 84% em relação a 2024 e 68 empresas ao final de 2025. Apesar disso, o estado ainda está abaixo da média nacional, com índice de 1,96 empresa a cada mil. No Mato Grosso do Sul, os segmentos com mais empresas em recuperação são ligados ao agronegócio, especialmente o cultivo de soja e a criação de bovinos. Regionalmente, as maiores altas anuais foram registradas no Sudeste, com crescimento de 33%, seguido pelo Sul, com 28%, e pelo Norte, com 27%.
As causas desse avanço passam, em primeiro lugar, por uma taxa Selic em patamar muito elevado, o que pressiona o caixa das empresas, encarece o custo do endividamento e dificulta o acesso ao crédito. Esse cenário foi agravado após a fraude envolvendo a Americanas em 2023, que levou muitos bancos a reduzirem a oferta de crédito, mantendo custos elevados e prejudicando ainda mais as empresas.
A desaceleração da economia ao longo de 2025 foi evidente e trouxe sérias dificuldades para muitas companhias. Soma-se a isso, nos últimos três anos, o aumento constante e as inovações tributárias adotadas pelo governo, principalmente sobre a produção e setores específicos, o que também tem dificultado a sobrevivência das empresas. Diante de um ambiente tão difícil, o planejamento se torna essencial para enfrentar um 2026 que ainda deve ser desafiador, com juros elevados, embora em processo de queda, e um ano eleitoral marcado por muitas incertezas.