O Rombo de Junho e a Espiral da Dívida: O Alerta de um Fiscal Descontrolado
Author: Ecio Costa
July 30, 2026
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As contas públicas brasileiras emitiram mais um sinal de alerta vermelho. A divulgação de que o Governo Central — que engloba Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central — registrou um déficit primário de R$ 48,2 bilhões no mês de junho expõe a fragilidade estrutural da nossa gestão fiscal. Não se trata de uma oscilação contábil passageira: o resultado marca o quarto pior desempenho para meses de junho de toda a série histórica, iniciada em 1997.
Quando ampliamos a lupa para o balanço do primeiro semestre, o cenário comprova a deterioração progressiva. Em vez de consolidar uma trajetória de equilíbrio que transmita segurança, a execução orçamentária insiste na lógica do crescimento contínuo de despesas obrigatórias e na dependência de arrecadações extraordinárias. Na matemática macroeconômica, o gasto sem lastro é o caminho mais curto para a instabilidade financeira e a perda de credibilidade.
O sintoma mais alarmante desse descontrole não está apenas no déficit mensal, mas na velocidade de avanço da dívida pública. Os números evidenciam que o endividamento do governo cresceu ao ritmo vertiginoso de quase R$ 8 bilhões por dia ao longo de junho. Chegamos a um ponto crítico em que o Tesouro Nacional consome cifras multibilionárias a cada 24 horas unicamente para cobrir rombos orçamentários e rolar o passivo existente.
Esse fenômeno é o retrato de uma economia que está em descontrole fiscal. Quando o Estado é incapaz de equilibrar suas contas, cria-se uma dinâmica perversa e retroalimentada. Um governo que se endivida a passos largos eleva exponencialmente a percepção de risco-país. Para convencer o mercado financeiro a financiar uma dívida crescente, o Tesouro é obrigado a pagar prêmios de risco cada vez maiores.
É exatamente nessa engrenagem que a falta de controle fiscal pune a economia real. O avanço do risco fiscal amarra as mãos do Banco Central e força a manutenção da taxa de juros (Selic) em patamares restritivos. Juros mais altos encarecem o crédito corporativo, inibem a expansão industrial, paralisam novos investimentos privados e refreiam a geração de empregos. Pior ainda: elevam o próprio custo de rolagem da dívida, alimentando a bola de neve fiscal em um círculo vicioso.
O Tesouro Nacional compete com os investimentos produtivos, oferecendo juros cada vez mais altos para poder financiar o descontrole fiscal, fazendo com que os juros altos compensem os riscos mais elevados, num efeito espiral, sem fim, sem saída. A única saída é retomar uma política de redução de gastos, junto com reformas importantes que possam equacionar as contas e trazer um crescimento sustentável para dívida pública.