Taxa de desemprego sobe para 5,4% em janeiro, mas não deve ser suficiente para reduzir juros
Author: Ecio Costa
March 5, 2026
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Na comparação com o trimestre encerrado em dezembro, subiu de 5,1% para 5,4%. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando o desemprego estava em 6,5%, houve queda de 1,1 p.p. Em números absolutos, cerca de 5,9 milhões de pessoas estão desocupadas no país, o menor contingente desde o início da série. Esse número representa uma redução expressiva de 17,1% na comparação anual.
A taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e aquelas que poderiam trabalhar, mas não estão procurando emprego, ficou em 13,8%. O resultado representa queda de 1,8 p.p. em relação ao mesmo período de 2025. Já o número de desalentados, pessoas que desistiram de procurar trabalho por acreditarem que não encontrariam emprego, somou 2,7 milhões.
Outro destaque foi a continuidade da redução da informalidade no mercado de trabalho. A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, o menor nível desde julho de 2020. No mesmo período de 2025 era de 38,4%. Em termos absolutos, isso significa que cerca de 38,5 milhões de trabalhadores estavam em ocupações informais. Segundo o IBGE, essa queda vem sendo observada desde 2022 e ganhou mais intensidade a partir de 2023, refletindo tanto a redução do emprego sem carteira assinada no setor privado quanto o avanço da formalização entre trabalhadores por conta própria.
Os dados de empregos formais do Caged apresentam que o Brasil registrou abertura de 112.334 vagas com carteira assinada em janeiro, elevando o estoque total de empregos formais para 48,6 milhões de vínculos ativos no país. No acumulado de 12 meses, entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, o saldo foi positivo em 1.228.483 postos de trabalho, com crescimento de 2,6% no estoque de empregos formais.
Na análise setorial dos empregos formais, quatro dos cinco grandes setores da economia registraram saldo positivo em janeiro. A indústria liderou a geração de empregos, com 54.991 vagas, seguida pela construção (50.545 vagas), serviços (40.525 vagas) e agropecuária (23.073 vagas). O único setor com saldo negativo foi o comércio, que fechou 56.800 postos de trabalho, movimento associado à sazonalidade do início do ano, após o encerramento de contratos temporários realizados durante o período de maior atividade do fim de ano.
Regionalmente, 18 das 27 unidades da federação registraram saldo positivo de empregos formais em janeiro. Os maiores saldos foram observados em Santa Catarina, com 19 mil vagas, seguido por Mato Grosso, com 18.731 postos, e Rio Grande do Sul, com 18.421 vagas. Entre os resultados negativos, destacaram-se Rio de Janeiro, com fechamento de 13.009 vagas, além de Alagoas, com 2.922 postos a menos, e Ceará, com redução de 1.291 vagas.
O leve aumento da taxa de desemprego na comparação com o trimestre encerrado em dezembro não alivia a pressão que o mercado de trabalho aquecido tem trazido sobre a inflação, o que torna um componente difícil para auxiliar na redução dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central. A desaceleração da economia, medida pelo PIB, e os números recentes do IPCA, por sua vez, podem ajudar nessa indicação de queda dos juros.