Com queda de 1,2% em dezembro, indústria brasileira encerra o ano com fraco desempenho
Author: Ecio Costa
February 3, 2026
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Na comparação com novembro, a produção industrial recuou 1,2%, o pior resultado desde julho de 2024 e um sinal forte de desaceleração do setor e da economia. No acumulado de 2025, a indústria cresceu apenas 0,6%, bem abaixo do avanço observado em 2024 (3,1%) e pouco acima do registrado em 2023 (0,1%).
No quarto trimestre de 2025, a produção industrial recuou 0,5% frente ao mesmo período do ano anterior, interrompendo a trajetória positiva iniciada no final de 2023. Mesmo estando 0,6% acima do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020, o setor ainda opera 16,3% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011.
Quatro grandes categorias econômicas e 17 dos 25 ramos pesquisados apresentaram queda na produção. Entre os principais impactos negativos, chamam atenção os setores de veículos automotores, que despencaram 8,7%, produtos químicos (-6,2%) e metalurgia (-5,4%). Também contribuíram para o resultado negativo setores como equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, produtos têxteis, minerais não metálicos, máquinas e equipamentos e confecção de vestuário.
Por outro lado, alguns segmentos ajudaram a reduzir o tombo. O principal destaque positivo foi o setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que avançou 5,4% e interrompeu uma sequência de três meses de queda. Também apresentaram desempenho favorável os ramos de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com crescimento de 6,7%, e as indústrias extrativas, que avançaram 0,9%.
Quando se olha para as grandes categorias, o quadro é ainda mais preocupante. Bens de capital (-8,3%) e bens de consumo duráveis (-4,4%) lideraram as perdas em dezembro, sinalizando menor investimento e enfraquecimento da demanda por bens de maior valor. Os bens intermediários (-1,1%) e os bens de consumo semi e não duráveis (-0,7%) também recuaram.
No acumulado de 2025, o crescimento de 0,6% da indústria foi sustentado, sobretudo, pela indústria extrativa e pelo setor de alimentos, além de avanços em ramos como máquinas e equipamentos, metalurgia, produtos químicos e têxteis. Por outro lado, setores ligados a derivados de petróleo, bebidas, produtos de madeira e equipamentos de informática apresentaram retração ao longo do ano.
A indústria sofre com juros altos, mas também com excessos de burocracias, queda da produtividade da mão de obra, sistema tributário complicado e excessivo sobre o setor, dificultando para manter sua competitividade em relação ao mercado internacional e, principalmente, no fornecimento doméstico. Até o momento não se vê uma política industrial que realmente destrave e desenvolva o setor, fazendo com que a desindustrialização no Brasil tenha capítulos recorrentes.