Inflação volta a ficar próxima do teto da meta, desafiando a aposta do COPOM em reduzir juros
Author: Ecio Costa
May 12, 2026
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A inflação desacelerou em abril, mas continua pesando no bolso dos brasileiros, principalmente por causa dos alimentos e dos gastos com saúde. Segundo dados divulgados pelo IBGE, o IPCA ficou em 0,67% no mês, abaixo da taxa de 0,88% registrada em março. Apesar da desaceleração, o índice acumulado em 12 meses voltou a subir e chegou a 4,39%, ficando mais próximo do teto da meta de inflação. No acumulado de 2026, a alta já é de 2,60%.
Mais uma vez, alimentação foi a principal responsável pela pressão inflacionária. O grupo Alimentação e bebidas subiu 1,34% em abril e teve o maior impacto no resultado do mês. Alimentação no domicílio avançou 1,64%, refletindo principalmente o aumento de produtos básicos consumidos pelas famílias. Outro destaque foi o grupo Saúde e cuidados pessoais, que acelerou de 0,42% em março para 1,16% em abril, contribuindo com 0,16 p.p. no resultado geral. Artigos de higiene pessoal também tiveram aumento relevante (1,57%), com destaque para os perfumes (1,94%).
Os gastos com habitação também avançaram, a inflação passou de 0,22% em março para 0,63% em abril. A principal influência veio do gás de cozinha, que ficou 3,74% mais caro, além da energia elétrica residencial, que avançou 0,72% diante dos reajustes aplicados em diversas capitais brasileiras. Em Recife, por exemplo, a tarifa de energia teve reajuste de 3,86% no fim de abril. A alta da energia também refletiu aumentos registrados em cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Campo Grande e Aracaju.
Por outro lado, o grupo Transportes apresentou forte desaceleração e ajudou a evitar uma inflação ainda maior no mês. Após subir 1,64% em março, o grupo avançou apenas 0,06% em abril. O principal fator foi a queda de 14,45% nas passagens aéreas, além da redução nas tarifas de ônibus urbanos em várias capitais devido à adoção de gratuidades e descontos aos domingos e feriados. Ainda assim, os combustíveis continuaram pressionando o orçamento das famílias. A gasolina subiu 1,86% e permaneceu como o item de maior impacto individual sobre o IPCA, contribuindo sozinha com 0,10 p.p.. Também houve aumentos no óleo diesel (4,46%) e no etanol (0,62%).
Regionalmente, Goiânia registrou a maior inflação do país em abril, com alta de 1,12%, impulsionada principalmente pela gasolina e pela tarifa de água e esgoto. Já Brasília apresentou a menor variação, de apenas 0,16%, beneficiada pela queda nas passagens aéreas e pela redução no preço da gasolina. Recife teve inflação de 0,82% no mês e acumula alta de 5,21% nos últimos 12 meses, acima da média nacional.
A aposta do COPOM em reduzir os juros pode estar sendo um erro, pois os preços continuam pressionando o IPCA, com retomada de inflação para o teto da meta nos últimos meses. O impacto do aumento do preço do barril de petróleo influencia o resultado, mas o excesso de políticas de crédito e a contínua expansão fiscal também não ajudam. Será que o COPOM vai continuar reduzindo juros, mesmo com esses alertas?