Setor de serviços tem queda de 0,4% em dezembro, aprofundando a desaceleração da economia
Author: Ecio Costa
February 12, 2026
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Apesar disso, o setor de serviços encerrou 2025 com crescimento de 2,8%. A queda no último mês do ano interrompeu uma sequência de nove altas consecutivas e um mês de estabilidade, período em que o setor acumulou ganho de 3,6%. Ainda assim, o nível de atividade permanece elevado: está 19,6% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e apenas 0,4% abaixo do recorde da série histórica, alcançado em novembro de 2025 e sendo o principal setor que tem puxado a economia.
Na comparação com dezembro de 2024, o volume de serviços avançou 3,4%, marcando o vigésimo primeiro resultado positivo consecutivo nessa base de comparação. O acumulado nos últimos doze meses ficou em 2,8%, um pouco acima do ritmo observado até novembro (2,7%). Já a receita nominal apresentou alta de 7,7% frente a dezembro do ano anterior e avanço de 7,5% tanto no acumulado do ano quanto em 12 meses.
A queda de 0,4% em dezembro foi disseminada em três das cinco grandes atividades investigadas, com destaque para transportes (-3,1%), que apresentou queda em todos os seus segmentos: transporte terrestre (-1,7%), aquaviário (-1,4%), aéreo (-5,5%) e armazenagem e serviços auxiliares aos transportes e correio (-4,9%). Também registraram retração os outros serviços (-3,4%) e os serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,3%). Por outro lado, informação e comunicação (1,7%) e serviços prestados às famílias (1,1%) evitaram uma queda mais intensa do indicador geral.
Na comparação anual, todas as cinco atividades avançaram em dezembro, com destaque para informação e comunicação (6,8%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (4,4%), que exerceram os principais impactos positivos. No primeiro caso, o resultado foi impulsionado por segmentos ligados à tecnologia, como desenvolvimento e licenciamento de softwares, portais e provedores de conteúdo, tratamento de dados e consultoria em TI. No segundo, sobressaíram atividades como intermediação de negócios por aplicativos e plataformas de e-commerce, serviços de engenharia e consultoria em gestão empresarial.
Os demais avanços na comparação anual vieram de outros serviços (2,8%), transportes (0,8%) e serviços prestados às famílias (1,8%). No caso dos transportes, contribuíram positivamente o rodoviário de cargas, o transporte aéreo de passageiros e atividades de logística. Já nos serviços às famílias, destacaram-se serviços de bufê e a produção e promoção de eventos esportivos.
No acumulado de 2025, o crescimento de 2,8% foi sustentado por quatro das cinco grandes atividades e por 53,6% dos 166 tipos de serviços investigados. Informação e comunicação (5,5%) foi novamente o principal motor do setor ao longo do ano, reforçando o papel estratégico das atividades ligadas à tecnologia. Também contribuíram positivamente transportes (2,3%), serviços profissionais e administrativos (2,6%) e serviços prestados às famílias (1,1%). A única influência negativa no ano veio de outros serviços (-0,5%), pressionados por segmentos como atividades auxiliares dos serviços financeiros, manutenção e reparação de veículos, e administração de cartões de crédito.
Regionalmente, em dezembro, 16 das 27 unidades da federação registraram queda frente a novembro, com impactos mais intensos em estados como Santa Catarina (-3,9%), Rio Grande do Sul (-2,8%) e São Paulo (-0,3%), além de retrações expressivas no Pará (-7,3%) e em Mato Grosso do Sul (-5,2%). Em contrapartida, Rio de Janeiro (1,3%), Paraná (1,5%) e Mato Grosso (4,3%) lideraram as contribuições positivas no mês.